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A importância de ser gentil consigo mesmo

Saúde Mental e Bem-Estar, Por Andréa Ladislau, Psicanalista

Em 27/07/2026 às 08:34:22

Ser gentil consigo mesmo parece simples, mas pode ser um grande desafio. Somos capazes de acolher quem amamos, compreender seus limites e dizer que ninguém precisa ser perfeito. Mas, quando erramos, mudamos completamente o tom da conversa. Passamos a nos cobrar, a nos comparar e a acreditar que nunca fazemos o suficiente. E por que é tão difícil oferecer a nós mesmos a mesma gentileza que oferecemos aos outros?

Ninguém nasce sendo o próprio pior crítico. Ao longo da vida, muitos de nós aprendemos que errar é sinal de fracasso, que pedir ajuda demonstra fraqueza e que descansar é perder tempo. Sem perceber, começamos a acreditar que precisamos acertar sempre.

A autocrítica excessiva pode aumentar a ansiedade, a sensação de insuficiência e o sofrimento emocional. Não porque a pessoa seja fraca, mas porque vive sob a pressão de uma voz interna que nunca parece satisfeita.

Talvez você conheça essa voz. Ela diz que você poderia ter feito melhor. Que ainda não foi suficiente. Que os outros conseguem mais. Com o tempo, deixamos de perceber que esses pensamentos são apenas interpretações e passamos a tratá-los como verdades. Mas não são.

Em que momento nos tornamos tão duros conosco? Sem perceber, passamos a acreditar que precisamos ser fortes o tempo inteiro. Errar faz parte da experiência humana. O problema não é falhar. É acreditar que uma falha define quem você é.

Ser gentil consigo mesmo não significa ignorar responsabilidades ou deixar de crescer. Significa reconhecer que é possível aprender sem se humilhar e evoluir sem transformar a própria mente em um tribunal permanente.

A forma como falamos conosco influencia diretamente nossa saúde emocional. Pessoas que vivem em um estado permanente de autocrítica costumam experimentar mais ansiedade, uma sensação maior de insuficiência e mais dificuldade para lidar com frustrações. Não porque sejam mais frágeis, mas porque convivem diariamente com um crítico interno que nunca parece satisfeito.

Além disso, existe uma diferença enorme entre responsabilidade e punição. A primeira nos ajuda a crescer. A segunda apenas nos faz sofrer.

O problema é que, quando convivemos por muito tempo com esse tipo de pensamento sabotador, começamos a acreditar que ele representa a verdade. Mas não representa. Ele revela apenas a forma como aprendemos a olhar para nós mesmos.

E a boa notícia é que aquilo que foi aprendido também pode ser transformado. Isso não significa deixar de reconhecer os próprios erros ou abandonar a responsabilidade pelas escolhas feitas. Significa perceber que existe uma enorme diferença entre assumir um erro e transformá-lo em prova de que você não é bom o bastante.

Enfim, não se iluda: todos nós vamos falhar em algum momento. Isso faz parte da experiência humana. O que faz diferença é a forma como conversamos conosco depois disso.

Talvez hoje valha a pena observar como você tem conversado consigo mesmo. Afinal, a pessoa com quem você mais conversa durante toda a vida é você. E essa conversa pode fortalecer ou enfraquecer a sua saúde mental.

Talvez esteja na hora de fazer da própria mente um lugar de mais acolhimento e menos julgamento.

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