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Quando a Nave Pousou Outra Vez

Palco & Bastidor, Por Dan Beligoli, Jornalista

Em 27/07/2026 às 12:54:33

No último sábado, Xuxa levou milhares de crianças para um estádio em São Paulo.

Mas... como assim crianças?

A Rainha dos Baixinhos foi o maior fenômeno da televisão infantil dos anos 80, 90 e início dos anos 2000. Uma artista capaz de atravessar gerações e permanecer viva em um lugar onde o tempo não alcança: a memória afetiva.

Quem lotou aquele estádio não eram adultos de 30, 40 ou 50 anos. Eram crianças. Crianças que cresceram. Milhões de brasileiros acordavam cedo para assistir ao Xou da Xuxa. Para muitos, aquele programa significava muito mais do que entretenimento. Era companhia. Era acolhimento. Era a certeza de que alguém, do outro lado da tela, fazia parte da nossa rotina.

Eu me incluo nessa história. Enquanto muitos pais saíam para trabalhar e as mães enfrentavam o ritmo da vida, era a Xuxa quem chegava às nossas casas todas as manhãs. Ela brincava, cantava, fazia rir e, sem percebermos, ocupava um espaço que poucos artistas conseguiram ocupar.

E como esquecer aquela entrada? Uma nave espacial surgia em meio às luzes. Dela descia uma mulher que parecia ter vindo de outro planeta. Havia brilho, fumaça, música e fantasia. Bastavam alguns segundos para que a sala de casa desaparecesse e desse lugar a um universo onde tudo parecia possível.

No último sábado, a nave pousou outra vez. E, junto dela, desembarcaram milhares de lembranças.

A criança que um dia sonhou em estar naquele palco finalmente atravessou a tela. Pela primeira vez, pode olhar para sua eterna rainha bem diante dos olhos, cantar cada música de cor e perceber que algumas emoções simplesmente não envelhecem.

Quem compra um ingresso para o Xou da Xuxa não está adquirindo apenas um lugar em um espetáculo.

Está comprando a oportunidade de reencontrar uma parte de si. Porque, diante daquela nave, as contas para pagar, os compromissos, os cabelos grisalhos e todas as responsabilidades da vida adulta ficam do lado de fora do estádio.

Ali dentro, quem canta, sorri e se emociona não é o adulto. É a criança que acreditava que uma nave podia pousar na Terra. Que sonhava ganhar um beijo da Xuxa. Que descobriu, muito cedo, que imaginar também era uma forma de viver.

Talvez esse seja o maior legado da Rainha dos Baixinhos. Ela nunca vendeu apenas discos, programas de televisão ou ingressos para um show. Ela ofereceu abrigo para a imaginação de milhões de crianças. E algumas viagens são tão importantes que nunca terminam.

Apenas esperam o momento certo para que a nave pouse outra vez.

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