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Anitta colocou frutas na cabeça e encontrou o caminho de volta para sua arte

Palco & Bastidor, Por Dan Beligoli, Jornalista

Em 17/08/2026 às 12:32:28

Uma artista que precisou voltar para si. Buscar sua origem, revisitar suas raízes e reencontrar aquela originalidade que sempre esteve dentro dela. Uma artista que, durante muito tempo, pareceu querer alcançar uma classe social e intelectual que, até então, jamais havia conseguido atingir.

Ela começa baixando a cabeça, engolindo o orgulho e, de certa forma, clamando por atenção. Fala diretamente com um nicho que nunca havia alcançado. E faz isso buscando referências na genialidade de Carmen Miranda — ainda que, para chamar os olhares para a sua arte, seja preciso colocar frutas na cabeça.

Anitta contou a sua realidade. Contou aquilo que muitos artistas vivem em silêncio, dentro de si. Expôs as contradições de uma carreira em que, ao mesmo tempo em que se tem tudo, também se pode sentir que não se tem nada.

E talvez seja justamente aí que esteja a sua maior transformação: Anitta começa a olhar para dentro. Reconhece sua origem, revisita aquilo que a formou e procura, lá no fundo, compreender qual é o seu verdadeiro papel como artista.


A simplicidade e a humildade talvez tenham vindo com o tempo. Vieram depois de experiências, escolhas, erros e de muito ignorar o próprio chamado. Anitta também nos mostra que um trabalho verdadeiramente grandioso não se faz sozinho — e que espaço nenhum se conquista de forma permanente quando se trata a própria equipe com soberba.

Passei o final de semana ouvindo o trabalho de Anitta. Equilibrivm II me chamou atenção por diversos ângulos, mas um deles, especialmente: a qualidade de uma equipe que parece ter entregado tudo.

E isso ganha ainda mais força quando a própria artista diz uma de suas frases mais emblemáticas: “não esperem nada de mim”. Ao colocar a expectativa do público lá embaixo, ela acabou fazendo justamente o contrário: entregou algo capaz de alcançar até mesmo aqueles que normalmente não consomem o tipo de cultura que ela produz.


Talvez essa seja uma das maiores ironias da arte: quando você para de tentar provar alguma coisa, começa finalmente a dizer o que realmente precisa ser dito.

Às vezes, precisamos nos ressignificar.

Eu mesmo precisei.

Foram tantas as vezes em que falei sobre o trabalho de Anitta, tantas análises, críticas e provocações, que hoje me permito fazer algo diferente: reconhecer quando uma artista consegue me surpreender novamente.

E, de alguma maneira, eu me rendi.

Voltei a fazer uma das críticas que mais gostei de fazer.

Falar sobre Anitta.



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