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Alta ciência tupiniquim

Tuppan avisa três horas antes chegada da chuva, facilitando prevenção de catástrofes

Sistema de IA desenvolvido pelo Impa já foi testado no Rio e em Manaus, no Brasil, Toronto, La Paz e Miami


Sistema criado pelo Impa facilita a previsão em áreas sem radares terrestres ou com sistemas precários de operação; com isso, ajuda cidades na gestão de eventos climáticos agudos. Foto: Rafa Neddermey

Pesquisadores do Impa, Instituto de Matemática Pura e Aplicada, organização vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, desenvolveram um modelo de inteligência artificial para previsão do tempo em curto prazo. Tuppan, como é chamada a ferramenta, é capaz de avisar sobre a ocorrência de chuvas com três horas de antecedência, por meio do uso de dados de satélites e cálculos matemáticos, representando vantagens de tecnologia e cobertura em relação ao modelo tradicional de previsão.

Ouça no Podcast do Eu, Rio! a reportagem da Rádio Nacional sobre o Tuppan, sistema de IA capaz de agilizar e tornar mais precisa a previsão de tempo de curto prazo.

O projeto foi criado para funcionar em regiões que não tenham radares terrestres ou em que eles não estejam em quantidade suficiente. O período de três horas é considerado decisivo para a avaliação de situações meteorológicas e a tomada de decisões na prevenção de catástrofes.

Com potencial para ajudar cidades na gestão dos eventos climáticos, em especial aquelas em situação de risco, o modelo já foi testado no Rio de Janeiro e em Manaus. Fora do Brasil, os testes foram em La Paz, na Bolívia, Toronto, no Canadá, e Miami, nos Estados Unidos.

O Tuppan foi desenvolvido por doutorandos do Impa. Leonardo Voltarelli é um deles, e detalha o funcionamento da ferramenta.

“Imagina que a gente tem uma certa sequência de frames e o que a gente está fazendo é falando para o modelo qual é a sequência de frames que aconteceu no passado e pedir para ele completar o vídeo. Falar quais são os próximos frames que vão acontecer. Então, ideia de como esse modelo funciona é que durante um treinamento ele viu vários eventos de chuva, que são como esses vídeos do que que estava acontecendo com a chuva, ele extraiu informações a partir daquilo e aí ele foi treinado, né, para aprender justamente só com as primeiras imagens da chuva, falar quais seriam as próximas”.

O pesquisador destaca ainda os benefícios gerados pela tecnologia.

“A grande vantagem do Tuppan é poder ajudar nesse momento de tomar alguma decisão. Como que isso acontece atualmente? Tem um profissional, que é um meteorologista, ele olha os dados antigos, né, do que aconteceu e o que está acontecendo agora e ele toma alguma decisão baseada nisso, baseado na experiência dele. O ponto é que isso pode demorar e o Tuppan entra justamente para auxiliar nesse momento. Ele vai gerar uma previsão baseada no conhecimento que ele tem e que também acerta bem pelos resultados que a gente teve”.

Atualmente, o modelo está sendo utilizado para auxiliar previsões do tempo no Rio de Janeiro. Os próximos passos do projeto serão testes em outros continentes, com foco na Ásia e África, e a ampliação do tempo de previsão.



RadioAgência Nacional

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