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Resort do TCP no foco

Deputado estadual, ex-vereador e ex-assessor são investigados por ligação com Terceiro Comando Puro

Val Ceasa, Ulisses Marins e Michael Johnny, preso em flagrante por porte ilegal de arma, teriam tentado impedir demolição de imóvel


MPRJ investiga ligação de parlamentares com facção criminosa Terceiro Comando Puro. Grupo teria tentado obter informações sigilosas sobre operação destinada a demolir 'resort' do TCP. Foto: Divulgação

Por determinação do procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) cumpriu, nesta quinta-feira (18/06), 14 mandados de busca e apreensão contra três agentes públicos investigados por suposta ligação com a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). Foram alvos das medidas o deputado estadual Val Ceasa, o ex-vereador do Rio de Janeiro Ulisses de Almeida Marins e o ex-assessor parlamentar Michael Johnny Vianna de Azevedo.

O procurador-geral de Justiça informou que as diligências resultaram na apreensão de R$ 341 mil em espécie, cinco armas, 11 aparelhos celulares, computadores, dispositivos de armazenamento de dados e munições de diversos calibres. Além disso, o investigado Michael Johnny de Azevedo e uma mulher que o acompanhava foram presos em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. Todo o material apreendido foi encaminhado para a Cidade da Polícia e será submetido à análise pericial em uma nova fase da apuração, que buscará aprofundar a identificação de eventuais vínculos dos investigados com a organização criminosa.

"Esses fatos preocupam profundamente o Ministério Público, pois revelam um processo de degradação do ambiente político que vem se tornando cada vez mais evidente. Há poucos meses, o Ministério Público denunciou e obteve a prisão de um deputado estadual ligado ao Comando Vermelho, que já possuía condenação por lavagem de capitais antes mesmo de ingressar no Parlamento. Agora, apuramos a possível vinculação de outro agente político a uma facção rival", explicou Antonio José Campos Moreira. "A preservação do Estado Democrático de Direito e o fortalecimento da democracia exigem instituições fortes. Não podemos admitir que o Parlamento seja ocupado por figuras comprometidas com organizações criminosas ou com práticas incompatíveis com os valores democráticos e republicanos", afirmou o PGJ.

Segundo as investigações, os suspeitos teriam atuado para obter informações sobre uma operação sigilosa destinada à demolição de imóveis utilizados pela organização criminosa em Parada de Lucas, no Complexo de Israel, Zona Norte do Rio. Eles teriam alegado que os imóveis eram destinados à prestação de serviços sociais, o que, de acordo com as apurações, não correspondia à realidade e contribuiu para o adiamento da ação policial.

Os mandados foram expedidos pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e são cumpridos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), na Ceasa e em outros endereços na capital fluminense e no Espírito Santo.

A Alerj divulgou nota oficial, anunciando colaboração com as investigações:

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) informa que acompanha a operação realizada nesta quinta-feira pelo Ministério Público. A Casa reforça seu compromisso com a transparência e coloca-se à disposição para prestar toda a colaboração necessária ao andamento das investigações. A Alerj reitera que atua com austeridade e compromisso com o povo fluminense.

Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e Alerj

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