Trinta e três anos após a Chacina da Candelária, movimentos sociais, organizações de direitos humanos, familiares das vítimas e representantes de instituições públicas realizaram, na última quinta-feira (23), um ato em frente à Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro. A mobilização reafirmou o compromisso com a memória das vítimas, a busca por justiça e a defesa dos direitos de crianças, adolescentes e jovens, especialmente diante da persistência da violência que atinge essa população.
Organizado pelo movimento Candelária Nunca Mais, o encontro reuniu lideranças religiosas, representantes da sociedade civil e de órgãos públicos em torno da cruz instalada em frente à igreja, onde ocorreu um ato ecumênico seguido de homenagens aos oito jovens assassinados na madrugada de 23 de julho de 1993. Realizada anualmente desde o massacre, a cerimônia tornou-se um símbolo da luta pelos direitos humanos e do enfrentamento à violência de Estado.
O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) participou da atividade como parte de sua atuação na promoção e proteção dos direitos humanos. Durante o ato, Carlos Nicodemos, relator especial do Observatório de Enfrentamento ao Discurso de Ódio, ao Extremismo e ao Avanço das Células Neonazistas do CNDH, além de representante da ONG Projeto Legal e do Movimento Nacional de Direitos Humanos, destacou que a Chacina da Candelária permanece como um marco na defesa do direito à vida.
Segundo Nicodemos, crianças e adolescentes continuam sendo vítimas da falta de políticas públicas eficazes de proteção e segurança. Para ele, o ato representa não apenas um momento de lembrança das vítimas, mas também uma reafirmação da luta por uma sociedade que garanta acesso à saúde, educação, moradia e oportunidades para que jovens possam exercer plenamente sua cidadania.
Ao completar 33 anos, a Chacina da Candelária segue sendo lembrada como um dos episódios mais emblemáticos da violência contra crianças e adolescentes no Brasil, reforçando a necessidade de políticas públicas capazes de prevenir novas violações e assegurar os direitos da juventude.