O xamanismo é um conjunto de práticas ancestrais, presente em diversas culturas ao redor do mundo, que envolve a busca por contato com o mundo espiritual, utilizando rituais, cantos, danças e, em algumas tradições, substâncias psicoativas.
Há evidências de práticas xamânicas com mais de 30 mil anos, encontradas em pinturas rupestres. Essas práticas surgiram de forma independente em várias partes do mundo, em resposta à necessidade humana de buscar cura, proteção e compreensão dos mistérios da vida e da morte.
As principais características do Xamanismo são:
Viagens espirituais: o xamã entra em estados alterados de consciência (transe) para viajar ao mundo espiritual.
Animismo: tudo na natureza — pedras, rios, animais, plantas — possui espírito ou energia vital.
Cura espiritual: o xamã atua como curador, guia e protetor da comunidade.
Rituais: uso de cantos, tambores, danças, plantas sagradas e símbolos.
Com a expansão das religiões organizadas (especialmente cristianismo, islamismo e budismo em certas regiões), o xamanismo foi muitas vezes visto como heresia ou superstição.
Na Europa, práticas xamânicas foram associadas à “bruxaria” e perseguidas durante a Inquisição. Em muitas regiões colonizadas, como nas Américas, missionários tentaram suprimir os rituais indígenas.
Xamanismo no Brasil
Xamanismo ou Pajelança é a comunicação com os encantados e entidades ancestrais através de cânticos, danças assim como nos indígenas Guarani Kaiová e utilização de instrumentos musicais (maracá, zunidores) para captura e afastamento de espíritos malignos tipo mamaés, anhangás.
Há também a utilização do jejum, restrições dietéticas, reclusão do doente, além de uma série de práticas terapêuticas que incluem: o uso do tabaco (o pajé fuma grandes cachimbos) e outras plantas psicoativas, aplicação de calor e defumação, massagens, fricções, extração da doença por sucção/ vômito, escarificação no tórax e locais inflamados com bico, dentes de animais ou fragmentos de cristais.
No Brasil rural e urbano, apesar da tradição multi-étnica dos nativos, observa-se a presença dessas práticas médicas-religiosas em comunhão com rituais de origem africana. Esse xamanismo é conhecido em algumas regiões como pajelança cabocla, culto aos encantados, toré, catimbó, candomblé de caboclo, em rituais de umbanda ou de tambor de mina, culto à Jurema Sagrada.
Atualmente no Brasil existem várias vertentes de neo-xamanismo ou xamanismo urbano. Entre estas linhas, diversos grupos onde coexistem tradições espirituais diferentes, uso de substâncias associados a "novos" saberes ou tradições.
O xamanismo atravessa culturas e séculos porque oferece:
* Uma forma de cura que vai além do corpo físico.
* Um sentido de pertencimento ao mundo natural.
* Um caminho de sabedoria ancestral que valoriza a experiência direta com o sagrado.