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Reticências

Menina Aleatória, Por Anna Domingues, Escritora

Em 28/07/2025 às 08:05:20

Sempre fui mais de reticências do que de ponto final. Os pontos finais são duros, secos, definitivos demais. Encerram. Encerram como se a vida fosse uma série de episódios bem concluídos, como se a gente tivesse sempre certeza de quando virar a página. Eu não tenho. Você tem?

Gosto mesmo é do que fica no ar. Do que poderia ter sido. Do que ainda pode ser. Do silêncio que diz mais do que a palavra. Do olhar que hesita. Da frase que começa e não termina. Das histórias que se interrompem e reaparecem anos depois, com outro tom, outro enredo, outro desfecho - ou nenhum.

As reticências acolhem o talvez, o quem sabe, o deixa pra depois. Elas são amigas do coração que não tem pressa, da memória que insiste, da mensagem que fica nos rascunhos. São três pontinhos que dizem: não sei, mas ainda sinto. Que lembram: não acabou, só ficou quieto por um tempo.

Tem gente que chama isso de covardia. Eu chamo de humanidade. Porque a vida real não é feita de capítulos com título e conclusão. É feita de dias mal dormidos, de reencontros improváveis, de palavras que nunca foram ditas mas que vibram, lá no fundo, como um eco que não morre.

E quer saber? Às vezes é no espaço entre uma palavra e outra que a gente se encontra. Às vezes o que salva não é o que se diz, mas o que se insinua. O que se deixa escapar sem querer. O que o outro precisa adivinhar porque a gente não teve coragem de dizer. Ou não soube. Ou sentiu tanto que preferiu calar.

A vida é cheia de interrupções. Conversas que terminam no “depois a gente se fala”, cafés adiados, promessas que não se cumpriram e mesmo assim não morreram. Ficam lá, guardadas num canto bonito da alma, esperando o momento certo ou o reencontro errado, que também serve.

Reticências são pausas, não desistências. São brechas. Convites para recomeçar. Para dar um passo atrás e repensar. Para lembrar que ninguém é feito só de certezas. Que o tempo tem seu próprio ritmo, e que às vezes a gente precisa mesmo é de um espaço em branco antes de seguir escrevendo.

Tenho aprendido a não forçar ponto final onde ainda existe afeto. A não encerrar vínculos só porque não sei mais nomeá-los. Nem tudo precisa caber numa legenda, num status, numa definição. Algumas coisas só cabem no silêncio. Outras, em três pontinhos...

Reticências são para quem ainda espera. Para quem ainda sente. Para quem ainda escreve à lápis...

E mesmo quando a página parece vazia, elas seguem ali, insistindo: continua...

Até o próximo texto!

@portal.eurio

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