Tenho orgulho de ser contradição ambulante. Mudo de ideia, de roupa, de playlist, de opinião política. Já acreditei em verdades absolutas que hoje me fazem rir com um quê de vergonha.
Sou mutável. Sou metamorfose ambulante, como já cantou Raul - e agradeço todos os dias por não ser rascunho congelado em papel manteiga. Prefiro o incômodo da mudança à prisão do rótulo. Prefiro me rever, me despentear, me refazer.
Tem quem ache isso instabilidade. Eu chamo de evolução. Porque gente que não muda é gente que parou de sentir. E sentir, convenhamos, é a forma mais bonita de estar viva.
Já fui aquela que aceitava tudo para evitar conflitos, que calava o que queria dizer para não desagradar. Hoje? Hoje sou quem sabe quando é hora de seguir em frente, mesmo que o caminho seja incerto.
Mas não pense que me tornei dura. Só me tornei menos editável. Ainda erro, ainda me desdobro, ainda sou feita de nuances. Mas agora sei a diferença entre me adaptar e me perder.
A vida pede isso da gente: coragem para trocar de casca sem perder a essência. Quem tenta te manter igual ao que conheceu ontem não entendeu nada sobre o que é crescer - porque crescer é aceitar que estamos em constante construção.
Ser metamorfose ambulante é se permitir começar de novo, mesmo que seja no meio da quarta-feira, no meio do ano, no meio de uma crise.
Porque, no fim das contas, ser coerente com quem a gente foi já não importa tanto quanto ser leal a quem a gente está se tornando.
E se isso for loucura - que seja a minha forma mais bonita de ser sã.
Até o próximo texto!
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