Tem gente que trata o universo como se ele fosse um serviço de atendimento ao consumidor: Faz pedido, abre protocolo, cria expectativa e depois passa anos indignada porque a encomenda nunca chegou. “Mas eu fui uma boa pessoa”, dizem. “Mas eu esperei”, insistem. “Mas eu merecia”, lamentam.
E talvez merecesse mesmo. O problema é que merecimento nunca foi garantia de entrega.
A verdade mais difícil da vida adulta é entender que o mundo não funciona na lógica das recompensas proporcionais. Você ama alguém e isso não impede o abandono. Você se dedica e ainda assim fracassa. Você faz tudo certo e, mesmo assim, perde. Existe uma crueldade nisso, sim, eu sei. Crescemos ouvindo que o universo conspira a favor, que tudo volta, que tudo se alinha. Bonito. Reconfortante. Quase religioso. Mas perigosamente ingênuo.
A verdade é que o universo nunca entrega o que promete. Aliás, ele nunca prometeu coisíssima nenhuma.
Talvez o grande erro seja transformar esperança em contrato. Achar que a vida nos deve explicações só porque sofremos direito. Como se dor fosse moeda de troca para finais felizes. Não é. A vida não assina recibo. Ela apenas acontece, às vezes generosa, às vezes indiferente, mas quase sempre imprevisível.
Quando entendemos que não existe garantia, paramos de viver em função da espera. Paramos de adiar felicidade até que alguém nos ame do jeito certo, até que o emprego ideal apareça, até que a vida resolva devolver tudo aquilo que nos tirou. Há uma maturidade em perceber que algumas respostas nunca virão. E tudo bem.
Aprendemos, na marra, que nem tudo quer dizer alguma coisa. Simplesmente algumas portas fecham porque fecharam. Alguns encontros acontecem porque aconteceram. Algumas histórias acabam sem lição de moral.
Talvez a graça da coisa esteja justamente na ausência de garantias. E a vida deixa de ser uma equação para voltar a ser aquilo que sempre foi: uma travessia.
Imprevisível, desorganizada, contraditória.
E, apesar de tudo, absurdamente interessante.
Até o próximo texto!
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