Se existe uma lição que a vida adulta se esforça para nos ensinar é que a nossa capacidade de escolher costuma ser muito maior do que nossa capacidade de prever as consequências das escolhas.
Pesamos prós e contras, reunimos informações, ouvimos conselhos, analisamos cenários. Gostamos de acreditar que decisões bem tomadas produzem resultados previsíveis.
Então entramos num supermercado e escolhemos a fila errada.
Quem nunca ficou observando atentamente as opções, analisou o tamanho de cada fila, contou os carrinhos e a velocidade da operadora do caixa e quando finalmente escolheu, pronto: a fila ao lado avança como um carro esportivo numa estrada vazia, enquanto a sua para diante de alguém que decidiu conferir o preço de cada item, esqueceu a senha do cartão e resolveu procurar moedas no fundo da bolsa.
A sensação é familiar porque não se limita ao supermercado, ela acompanha quase todas as nossas escolhas importantes: escolhemos cursos, empregos, cidades, relacionamentos e planos de vida com a mesma confiança de quem acredita ter encontrado a fila mais rápida. Reunimos informações, ouvimos conselhos, avaliamos cenários e concluímos que estamos no controle da situação. Mas a vida tem um senso de humor peculiar. Quando finalmente acreditamos ter dominado a arte do planejamento, ela coloca um produto sem código de barras na nossa frente.
De repente, aquilo que parecia uma trajetória perfeita sofre um atraso inesperado. O emprego dos sonhos não acontece, o relacionamento cuidadosamente cultivado termina, o projeto promissor fracassa, e o caminho considerado secundário? Esse revela-se extraordinário!
E a fila ao lado continua andando. Vá saber, mas seja essa a parte mais difícil. Não lidar com os próprios atrasos, mas assistir ao avanço dos outros porque sempre existe alguém casando antes, prosperando antes, viajando antes, realizando antes. Enquanto isso, ficamos parados com a desagradável impressão de que fizemos alguma escolha errada.
Nem sempre fizemos. Às vezes, a comparação é apenas uma câmera mal posicionada.
Não sabemos para onde aquela fila está indo. Não conhecemos os desvios que ela encontrará adiante. Observamos apenas um trecho muito curto da trajetória e o confundimos com a história inteira.
Mas um dia a gente entende! Um belo dia percebemos que planejamento é importante, mas não é garantia. Que organização ajuda, mas não elimina os imprevistos. Que escolher bem não significa controlar o resultado. E existe uma vasta diferença entre conduzir a própria vida e acreditar que podemos administrá-la como uma planilha.
Podemos, sim, decidir muita coisa. Mas o ritmo dos acontecimentos não é uma delas.
No supermercado, às vezes a fila mais lenta acelera de repente. A mais rápida trava sem explicação. No final, quase todos deixam o estabelecimento levando aquilo que vieram buscar.
Com a vida acontece algo parecido.
Gastamos anos tentando antecipar cada movimento do futuro, quando talvez a verdadeira sabedoria esteja em aceitar que ninguém conhece a velocidade do percurso.
Nem a própria.
Nem a do caixa ao lado.
Até o próximo texto!
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