Esses dias de festival me marcaram. De uma certa forma, fiquei encantado com a capacidade que o brasileiro tem de fazer um dos festivais mais bonitos e marcantes do nosso país.
A começar pela organização. A preparação de um evento dessa magnitude começa anos antes. Uma multidão de profissionais se envolve para entregar o melhor a quem se dedica, se programa e atravessa distâncias para curtir shows que encantam milhões de pessoas no Brasil e no mundo.
O Rock in Rio é, sem dúvida, uma das grandes vitrines do Brasil para o mundo. E sim, temos artistas extremamente capazes de montar espetáculos que não ficam nada atrás das grandes atrações internacionais. Artistas que dão a alma na preparação de suas apresentações e levam ao mundo aquilo que temos de mais particular: a nossa brasilidade.
Não podemos deixar de reconhecer essa grande iniciativa dos organizadores do evento, que também abre espaço para levar aos palcos aquilo que o mundo precisa conhecer. Porque nós não exportamos apenas exotismo. Exportamos cultura. E que orgulho dos nossos artistas.
Ver Ivete Sangalo entregando sua alma baiana para levantar a galera debaixo da chuva forte que insistia em cair. Joelma levando a Amazônia inteira para dentro da Cidade do Rock com seu vibrato icônico. Pedro Sampaio levando a cultura e a alegria do jovem brasileiro. Jota Quest mostrando história e nostalgia. Belo apresentando o samba como lugar de encontro e refúgio.
E eu não poderia deixar de falar da nossa Bahia, representada pelos tambores nervosos da Timbalada e pelo furacão do BaianaSystem, mostrando que o Brasil tem força e personalidade — ou melhor, voz.
Eu vi muita Bahia nesse festival. E essa também é a nossa cara: nossa alegria e nossa capacidade de transformar música em identidade. O Brasil é esse: feliz, pulsante e forte.
E, por último — talvez o mais importante — Gil. Para mim, um dos nossos maiores artistas, nossa vanguarda, nosso porto seguro. Ocupou o palco Mundo com a responsabilidade de quem sabe exatamente o que está fazendo, carregando na voz uma história que atravessa gerações.
E eu pude perceber isso de perto: pessoas de diferentes idades dançando, cantando e se entregando aos hits inesquecíveis desse artista. É aí que a gente entende a dimensão de uma obra que não envelhece.
Um evento dessa magnitude também está amadurecendo. Com o tempo, busca novos públicos, se molda e se adapta a uma geração completamente diferente daquela dos anos 80, quando tudo começou.
E talvez seja justamente isso que faça o Rock in Rio continuar relevante: entender que tradição não significa ficar parado no tempo. É saber de onde veio, reconhecer o que construiu sua história e, ainda assim, abrir espaço para o que está por vir.
Porque, no fim, o que realmente importa é continuar fazendo o Brasil caber dentro do festival.