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Cicatrizes que não se veem: emoções no enfrentamento do Câncer de Mama

Saúde Mental e Bem-Estar, Por Andréa Ladislau, Psicanalista

Em 06/10/2025 às 07:09:45

Um momento tenso e muito doloroso: a recepção de um diagnóstico de câncer de mama. Nesta hora todo tipo de pensamento ou sensação invade o nosso ser. Dúvidas sem respostas, impotência, medo em assumir a doença para amigos e familiares, incertezas em relação ao nosso futuro, tipos e formas de tratamento…. Enfim, brotam uma enxurrada de questões e sentimentos devastadores, ao mesmo tempo em que os primeiros passos para o tratamento devem ser dados.

É muito comum que, após receber essa confirmação, mulheres ou homens (sim, homens também podem ter a doença, já que possuem tecido mamário, local onde se origina a neoplasia) demonstrarem grande ansiedade, angústia, pessimismo em relação ao tratamento, instabilidade emocional nos relacionamentos, alterações de sono, sensação de esgotamento, dúvidas existenciais relacionadas a morte e sentimentos de vulnerabilidade. Estas são as manifestações emocionais mais comuns instaladas nestes doentes. Mas fica claro também que, alguns destes sintomas podem prevalecer mesmo após o tratamento, já que o fantasma do retorno da doença insiste em rondar os pensamentos.

É comum o choque inicial diante da constatação de uma doença, principalmente no caso de câncer, seja de mama ou não. Grande parte dos pacientes são levados a uma completa desestruturação emocional. Não raro o excesso de ansiedade, grande nervosismo, preocupação e inquietação em demasia. Podem apresentar características de alterações severas de humor, choros constantes, somados a uma sensação de impotência, configurando um quadro típico de depressão. Também podemos observar alguns comportamentos de alteração de conduta, levando a confrontos com os mais próximos e até desrespeito a regras sociais e morais. Em outros casos, o paciente diagnosticado pode buscar o isolamento social, ficando mais retraído e com manifestações claras de dificuldades interativas. Os questionamentos sobre a razão de estar doente, a culpa, a incerteza de cura e o medo de tornar-se um peso para a família contribuem para a construção do quadro de ansiedade depressiva (tristeza, sensação de cansaço, perda da esperança…). Muito importante, avaliar atentamente estes sintomas, pois podem ser de grande intensidade a ponto de influenciar na qualidade de vida do paciente e até mesmo na adequação e aceitação do tratamento clínico adequado para a anomalia diagnosticada.

O que se sabe é que, independente da alteração emocional, a melhor conduta para o paciente é seguir a orientação de seu médico. Em relação à abordagem dos sintomas emocionais, existem profissionais, como psicanalistas e psicólogos especializados neste cuidado.

Enfim, o mais importante é a busca de um estado de equilíbrio e bem-estar. Ser feliz é o que todos querem e o cuidado com a saúde mental não é uma bobagem. É crucial e extremamente merecido. Se não estiver emocionalmente equilibrado, pesquisas apontam que taxas relativas à imunidade podem ser prejudicadas e, além disso, o autocontrole e autoconhecimento são fortes aliados nesta luta contra o câncer. A cura existe e é possível. O tratamento deve ser seguido e acompanhado pelo oncologista, assim como o seu psicológico precisa estar preparado para esse fortalecimento necessário que o corpo solicita. Não desista. O diagnóstico traz sofrimento, mas com o autocuidado e amor próprio você poderá escrever sua nova história vitoriosa.


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