A semana da criança nos lembra da necessidade de proteger e cuidar das nossas crianças. E esse cuidado deve ser integral e constante. No entanto, ainda convivemos com histórias dolorosas de abuso e violência sexual infantil. São gritantes as fragilidades sociais no quesito proteção à infância e adolescência. Neste contexto, pensando na necessidade de conscientização do abuso de menores, é preciso estar atento aos sinais dessa violência.
É muito importante apurarmos as atenções para a escuta, o cuidado e o acolhimento dessas crianças e jovens, no sentido de evitar que possam ser marcados por traços de crueldade e perversidade que, certamente, provocam mudanças severas em sua percepção de valores e na forma como possam lidar com suas dores e com o mundo a sua volta, possibilitando ainda, o transporte do trauma sofrido para a vida adulta.
A violência sexual acarreta vivências traumáticas irreparáveis em suas vítimas. A começar pela grande dificuldade em manifestar verbalmente todo o sofrimento. Nestes casos, a melhor maneira de reconhecimento dos sinais do abuso, é buscar estar atento aos vestígios apresentados. Pois, diferentemente do que se pensa, as crianças dão pistas de que algo está fora da normalidade. Podem passar a apresentar distúrbios do sono (terrores noturnos), episódios de anorexia ou bulimia, baixa autoestima, queda no rendimento escolar ou dificuldade de aprendizado e concentração, isolamento social, fobias, agressividade, crises de choro constantes e inesperadas, episódios de enurese (xixi na cama) mesmo que após superado anteriormente, inquietação fora do normal, comportamentos hiper sexualizados precocemente e até déficit de linguagem.
Crianças e adolescentes expostos a situações de violência sexual podem exteriorizar desordens psíquicas, como: depressão, pensamentos suicidas, ansiedade generalizada, bloqueio sexual e o uso abusivo de drogas. Acarretando inclusive, prejuízos evidentes na maturidade de suas relações interpessoais e afetivas. Além disso, a percepção da realidade e a sua capacidade de confiança em adultos, poderá apresentar sinais de fragilidade. Os reflexos do abuso sexual no desenvolvimento biopsicossocial da criança e do adolescente devem ser levados em conta por toda a sociedade, a fim de promover intervenções psicológicas urgentes ao favorecimento da superação dos traumas sofridos.
Enfim, que as nossas crianças possam ser crianças, vivendo a magia do mundo infantil, longe da maldade de abusadores. O abuso sexual é, sem dúvida, um fenômeno que envolve muitas variáveis e complexidades, onde o dano psíquico está relacionado à vários fatores.
A identificação dos abusos nem sempre é uma tarefa fácil, porém as mudanças comportamentais acendem o botão vermelho e apontam que, irritação, dores de cabeça constantes, rebeldias, raivas, depressão, problemas escolares, introspecções, dentre outras alterações, servem como alertas evidentes de que algo está errado.
Pode ser um pedido de socorro inconsciente, expondo uma infância marcada por traços de crueldade que afloram um impacto emocional e social devastador na vida da vítima de abuso sexual na infância e/ou adolescência. Essa mistura de sentimentos e dúvidas marcará as funções intelectuais, criativas e mentais dessa criança para sempre.
Por isso, o acompanhamento e amparo psicológico, médico e social se faz extremamente necessário, na tentativa de resgatar a autoestima, a confiança e a capacidade de sonhar de uma criança ceifada pela violência sórdida de um adulto perverso e desumano.