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Cinquenta anos depois

Búzios recebe homenagem a Ângela Diniz, socialite mineira morta por ciúme pelo companheiro Doca Street

Banco Vermelho no Bairro dos Ossos, parte da campanha Feminicídio Zero, renova lembrança de caso embblemático


Búzios instala Banco Vermelho em homenagem a Ângela Diniz, socialite mineira assassinada na cidade da Região dos Lagos. Foto: Prefeitura de Armação de Búzios

Quase 50 anos após o assassinato da socialite Ângela Diniz, Armação dos Búzios, na Região dos Lagos, recebeu, nesta terça-feira (25/8), um símbolo em sua memória e em homenagem às mulheres vítimas de feminicídio. O Banco Vermelho foi inaugurado na Praça Eugênio Honold, no Bairro dos Ossos, no mesmo município onde Ângela viveu seus últimos momentos.

A iniciativa busca transformar a memória de Ângela Diniz em instrumento de conscientização e reforçar a mobilização pelo enfrentamento à violência contra a mulher. A instalação foi promovida pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Coem) do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), pela Secretaria da Mulher de Armação dos Búzios e pelo Instituto Banco Vermelho e integra a mobilização nacional pelo Feminicídio Zero.

Representando a Coem, o juiz titular da Comarca de Saquarema, Andrew Maciel, participou da cerimônia e destacou a importância de resgatar a história de Ângela Diniz e de refletir sobre a forma como o caso foi tratado pela Justiça brasileira.

“Ângela foi assassinada e condenada pelo mesmo motivo: por ser uma mulher livre, que exercia o seu desejo, manifestava isso de maneira muito evidente e não aceitava viver estereótipos. Não foi só o crime que foi julgado, mas, sim, o corpo, o desejo e a liberdade da Ângela; e essa tese foi acatada na época”, afirmou o magistrado.

A assistente social Patrícia Leal, do Núcleo de Promoção de Políticas Especiais de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar (Nupevid), que assessora a Coem, também participou da cerimônia, representando o TJRJ.


O juiz Andrew Maciel e a assistente social Patrícia Leal representaram o TJRJ na cerimônia. Foto: Prefeitura de Armação de Búzios

Um caso que marcou a luta contra a violência de gênero

O assassinato de Ângela Diniz por Doca Street, seu companheiro à época, ganhou grande repercussão nacional e se tornou um episódio emblemático na história do enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil.

No primeiro julgamento, o acusado foi absolvido com base na tese da “legítima defesa da honra”. O resultado provocou forte reação da sociedade e impulsionou o movimento “Quem Ama Não Mata”, contribuindo para ampliar o debate sobre a violência de gênero e para mudanças na atuação da Justiça diante desses crimes.

Banco Vermelho

A Campanha Banco Vermelho consiste na instalação de bancos dessa cor em espaços públicos, acompanhados de mensagens de reflexão sobre o feminicídio e outras formas de violência contra a mulher, além de informações sobre canais de emergência, denúncia e apoio às vítimas.

No Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o Banco Vermelho está instalado no térreo da Lâmina I, na entrada pela Rua Dom Manuel, uma das áreas de maior circulação do Complexo do Fórum Central.

A iniciativa reforça o compromisso institucional do TJRJ com a prevenção e o enfrentamento à violência contra a mulher e com a construção de uma sociedade em que nenhuma mulher seja vítima de violência ou tenha sua liberdade e dignidade violadas.

TJRJ

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