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Pólen no ar

Primavera chega em meio à umidade no Rio e acende alerta para alergias

Mofo favorecido por ambientes úmidos pode agravar rinite e asma; ventilação e limpeza com produtos neutros estão entre os cuidados indicados por especialista


Efeitos da umidade podem sem sentidos dentro de casa. Fotos: Divulgação

A primavera começou recentemente no Rio de Janeiro, mas o tempo cinza e chuvoso tem roubado a cena na estação conhecida pelo colorido das flores. Nos últimos dias, os efeitos da umidade também foram percebidos dentro das casas: roupas demoram mais a secar, paredes permanecem úmidas e o mofo encontra condições favoráveis para aparecer.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em 2026, durante a primavera, a intensificação do fluxo de umidade proveniente da Amazônia contribui para a formação de chuvas no Sudeste.

A mudança de estação também merece atenção de quem sofre de alergias. A alergista e imunologista Flávia Anísio, do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), explica que fatores característicos desse período podem favorecer o aparecimento ou a piora de sintomas respiratórios.

“Nessa época, temos uma maior presença de pólen no ar, além de variações de temperatura e de umidade. Para as pessoas que já são sensibilizadas, o contato com esses alérgenos pode desencadear ou intensificar sintomas de rinite e também contribuir para a piora da asma”, explica.

Quando a umidade chega dentro de casa

Se nas ruas a chuva muda a rotina de quem precisa sair, dentro de casa ela traz outros desafios. Ambientes fechados, paredes úmidas e pouca circulação de ar favorecem o aparecimento e a proliferação de mofo.

Segundo Flávia, pessoas com rinite, asma e outras doenças respiratórias estão entre as mais sensíveis nesse momento. Espirros, coriza, tosse, falta de ar e chiado podem aparecer ou se intensificar.

O mofo merece atenção não apenas pelas manchas nas paredes ou pelo cheiro característico. A médica explica que ele libera partículas e esporos que podem funcionar como alérgenos e, em pessoas sensibilizadas, provocar ou agravar sintomas de rinite e asma.

“Esse problema é especialmente importante em ambientes úmidos, pouco ventilados ou que apresentam infiltrações. Então, a combinação de umidade e mofo é algo que merece bastante atenção, principalmente para quem já tem alguma doença respiratória”, alerta.

Casa arejada e atenção ao mofo

A primeira recomendação da especialista é deixar a casa respirar. Abrir portas e janelas aumenta a circulação de ar. Afastar os móveis das paredes também permite a passagem de ar entre as superfícies.

Nos dias chuvosos, Flávia orienta evitar secar roupas dentro de casa porque, segundo ela, a umidade das peças é transferida para o ambiente. Enquanto a chuva persistir, a médica sugere lavar somente o que for realmente necessário.

Quando o tempo melhorar, a recomendação é fazer uma vistoria na residência. Manchas nas paredes, pintura descascando, cheiro forte de mofo e sinais de infiltração podem indicar pontos que precisam de atenção.

Se o mofo estiver restrito a uma área pequena, Flávia orienta fazer uma limpeza suave com sabão neutro, usando pano ou esponja, e deixar a superfície secar completamente. Quando a área atingida for extensa, a indicação é procurar um especialista para identificar a origem do problema.

“Pintar por cima de parede mofada não resolve o problema. Na verdade, você esconde o problema e não identifica de onde está vindo aquela infiltração, aquele mofo”, afirma.

“Casa limpa, casa arejada é casa mais saudável. O ideal é que você avalie a sua casa e tente manter o ambiente sempre muito arejado e muito seco”, resume Flávia.

Alergia ou infecção?

Os sintomas respiratórios também podem gerar dúvidas sobre a diferença entre uma manifestação alérgica e uma infecção. Flávia explica que, na rinite e na conjuntivite alérgica, são comuns espirros repetidos, coriza geralmente transparente, coceira no nariz e nos olhos e congestão nasal. Em geral, esses sintomas não vêm acompanhados de febre.


Nas infecções respiratórias, principalmente nas causadas por vírus, são mais frequentes sintomas como mal-estar, dor de garganta, febre, dores no corpo e secreção nasal. A especialista ressalta, no entanto, que as manifestações podem se sobrepor e nem sempre é possível diferenciar uma alergia de uma infecção apenas pelos sintomas.


Diante de sintomas persistentes, muito intensos ou quando houver dúvida, a orientação é procurar avaliação médica.

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