A gente engole. Engole o choro, engole a mágoa, engole o “não” que gostaríamos de dizer. Engolimos porque não é hora, porque não queremos criar clima, porque já tem coisa demais acontecendo. Engolimos porque aprendemos que sentir demais atrapalha, que mostrar demais enfraquece. E aí vamos vivendo, meio contidos, meio no automático.
Mas pra onde vão essas emoções todas? Talvez elas não vão. Talvez fiquem. A gente só acredita que elas somem porque aprendemos a escondê-las bem.
A emoção não expressada não vira ar. Ela vira silêncio, insônia, ansiedade. Vira aquele suspiro mais fundo no meio da tarde, sem motivo aparente. Vira aquela resposta atravessada que escapa pra alguém que nem tem culpa.
O que não é dito acha outras formas de sair. E nem sempre gentis. É uma lágrima que se recusa a cair pode virar um cansaço permanente. Um amor não confessado pode se transformar em distância. Uma tristeza não acolhida começa a se disfarçar de força. E a raiva… ah, a raiva engarrafada vaza em pequenas ironias diárias, como se a gente estivesse sempre levemente irritado com o mundo.
É bonito pensar que somos fortes. Mas às vezes, a verdadeira força está em admitir o que nos atravessa. Em aceitar que sentir não é fraqueza, é existência. E que a emoção, quando respeitada, não vira monstro. Monstro ela vira quando é ignorada.
A gente não precisa fazer escândalo. Não precisa dramatizar. Basta reconhecer. Nomear. Olhar de frente. Chamar a tristeza de tristeza. A saudade de saudade. A mágoa de mágoa. E deixar que elas passem por nós - ao invés de ficarem morando dentro.
As emoções não ditas não desaparecem. Elas se reciclam - ou apodrecem.
E uma hora, cobram espaço.
Até o próximo texto!
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