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Mesa de bar

Menina Aleatória, Por Anna Domingues, Escritora

Em 07/07/2025 às 10:08:38

Tem lugares que a gente não frequenta só com o corpo - a gente frequenta com a alma. Mesa de bar, por exemplo.

Mesa de bar é mais que quatro cadeiras em torno de copos bonitos. É confessionário sem padre, divã sem hora marcada. É onde as palavras saem mais sinceras, como se o álcool tivesse o poder de abrir não só a garganta, mas também o peito. Quando os amigos se sentam, ela vira palco de tudo: do desabafo dramático ao riso que dói a barriga. É lá que choramos por amores que nem foram nossos e defendemos causas que nem entendemos direito. É lá que o tempo vira aliado, desacelera, nos deixa existir.

Mas a verdade é que a tal da mesa de bar anda mais vazia. Os compromissos cresceram, as mensagens ficaram mais curtas, e a gente passou a se ver mais por stories do que por olhares. A vida adulta é exigente, cobra presença onde não queremos estar, e rouba energia de onde mais precisamos: nas relações.

Nos vinte e poucos anos, manter uma amizade é um desafio e tanto: é nessa fase da vida que a gente começa a se dar conta de que as amizades não sobrevivem só de afinidade ou risadas compartilhadas no grupo do WhatsApp. Tem que marcar, remarcar, entender que fulano está atolado de trabalho, que ciclano vai casar, que a outra está se mudando - de casa, de cidade, de fase.

Mas a mesa continua lá. Esperando. Às vezes, ocupa o papel de lembrança: “lembra quando a gente vinha aqui toda semana?” Lembro. Lembro de como um drink era só desculpa para estar perto. De como a gente dividia batata frita e angústias, salpicava sarcasmo em cima das mágoas e fazia piada das tragédias pequenas...

Hoje, quando conseguimos reunir o grupo, cada reencontro carrega um quê de milagre. Falta alguém? Sempre. Mas quem veio traz na voz um pouco de todos. Ainda sabemos rir das mesmas coisas, ainda sabemos cuidar uns dos outros com frases soltas e abraços apertados.

Mesa de bar é símbolo de continuidade. Mesmo quando tudo muda - endereço, rotina, humor - ela nos lembra que afeto não se perde, só adormece entre um brinde e outro.

E enquanto houver um amigo que diga “bora marcar aquele barzinho?”, existe esperança. Não é sobre um chopp de vinho, ou cerveja, gelado e uma porção de pastel. É sobre pertencer. E se tem um lugar onde a gente ainda pode ser exatamente quem é - confuso, cansado, mas presente - esse lugar é ali, ao redor da mesa.

Onde, apesar de tudo, o amor ainda senta.

Até o próximo texto!

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