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Trilha sonora minimalista

Menina Aleatória, Por Anna Domingues, Escritora

Em 01/09/2025 às 07:39:31

Fui ao show da Adriana Calcanhotto num sábado qualquer. Comprei o ingresso com a leveza de quem queria apenas uma noite musical, talvez um cafezinho gourmet antes, um “Esquadros” ao vivo, um “Vambora” para cantar junto como quem manda um recado delicado pro passado. Nada demais. Ingenuidade é isso.

Mal sabia eu que, ao passar pela catraca do teatro, estava entrando numa sessão coletiva de introspecção profunda com trilha sonora minimalista e vocais suaves que cortam a alma como bisturi. Adriana não canta. Ela confessa. E você, coitada, escuta.

Ali pela terceira música eu já estava me perguntando: “Com quem será que eu tô em débito emocional e não percebi?” Porque a voz dela vem mansa, mas cada frase é uma cobrança da vida: “Você já chorou tudo que precisava, ou tá só empurrando com séries e vinho barato?”

Nem terapia faz isso com a gente em menos de duas horas.

E o público? Um mar de adultos funcionais em crise. Mulheres de blazer bege, homens com cara de quem já terminou dois casamentos e ainda escreve cartas. E eu lá, tentando parecer sóbria emocionalmente, como se meu rímel não estivesse lutando pela sobrevivência.

Aí veio “Devolva-me”. E me devolveu foi tudo: a carência, a dorzinha de 2015, o bilhetinho escrito à mão que eu nunca enviei. Nesse momento, percebi que o show da Adriana é um lugar onde você vai inteira e sai em partes - mas partes refinadas, tipo porcelana trincada em galeria de arte. Nada vulgar.

E o humor? Ah, ela é debochadamente sensível. Fala de amores acabados como quem comenta previsão do tempo: “vai chover lágrimas na próxima faixa, tragam seus traumas.”

Saí do teatro sem saber se ligava pra alguém, se adotava mais um gato, ou se simplesmente deitava em posição fetal e ouvia o álbum todo de novo pra encerrar o ciclo.

Mas uma coisa é certa: ir ao show da Adriana Calcanhotto não é programa cultural. É experiência extracorpórea. É tipo passar por um scanner emocional de voz doce.

E eu? Voltarei. De preferência com lenço, Rivotril e zero expectativa de sair ilesa.

Até o próximo texto!

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