Durante muito tempo achei que viver bem significava estar cercado de gente, convites e acontecimentos. Agenda cheia parecia sinônimo de felicidade, como se os espaços vazios fossem pequenos fracassos pessoais. Até descobrir que alguns vazios são, na verdade, espaços de luxo.
Hoje valorizo o que chamo de meu universo particular. Não é um lugar isolado do mundo, é apenas um território onde não existe a obrigação de performar simpatia, produtividade ou entusiasmo constante. Ali, as coisas acontecem em um ritmo que não precisa impressionar ninguém.
Aqui cabe uma leitura com café, desses que a gente nem percebe quando acaba porque estava mais concentrado na página do que na xícara. Cabe também a série que já assisti tantas vezes que poderia recitar alguns diálogos, mas continuo vendo porque certas histórias funcionam como cobertores emocionais: não surpreendem, mas aquecem.
Demorei para entender que gostar da própria companhia não é ausência de amor ao outro; é, na verdade, a forma mais honesta de prepará-lo. Quem sabe ficar consigo mesmo aprende a chegar inteiro aos encontros, sem pedir que o outro preencha os espaços que são nossos por natureza.
Talvez crescer seja isso: perceber que felicidade não é estar disponível o tempo todo, mas saber quando voltar para casa, fechar a porta — mesmo que seja só simbolicamente — e passar um tempo habitando a própria existência sem plateia. Existe paz em silenciar as notificações do celular, em dormir cedo, em começar o dia exercitando o corpo. Quem sabe uma leitura nova ou aprender outro idioma… vai saber?!
Em meu universo particular não acontece nada extraordinário. E, justamente por isso, quase sempre acontece paz.
Até o próximo texto!
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