O Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (CyberGAECO/MPRJ) denunciou dois homens por lavagem de dinheiro em um esquema envolvendo golpes na venda de equipamentos eletrônicos e o uso de criptomoedas para ocultar os valores obtidos com os crimes. O MPRJ identificou a aquisição de mais de R$ 1 milhão em criptoativos com recursos provenientes de golpes praticados na região de Volta Redonda e Barra Mansa.
Os denunciados são os irmãos Luiz Guilherme Silva Gonçalves e Luiz Henrique Silva Gonçalves, responsáveis pela loja Elgui Store. Luiz Guilherme já havia sido preso em Foz do Iguaçu, no Paraná, e Luiz Henrique está foragido.
Além de receber a denúncia e decretar as prisões, o Juízo da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa determinou o bloqueio e o sequestro de bens, valores e criptoativos dos acusados.
De acordo com as investigações, os irmãos anunciavam equipamentos eletrônicos, sobretudo celulares, a preços abaixo dos praticados no mercado, mas não entregavam os produtos. Centenas de celulares teriam sido comercializados sem a efetiva entrega. O MPRJ já havia oferecido diversas denúncias contra os réus por estelionato, além de ter ajuizado ação civil pública em razão dos prejuízos causados aos consumidores. Na nova denúncia, o CyberGAECO detalha as operações realizadas para ocultar a origem dos recursos obtidos com os crimes.
Com o uso de softwares especializados de rastreamento, os promotores identificaram a aquisição de criptoativos no período em que os crimes eram praticados, bem como a plataforma (exchange) para a qual os recursos foram enviados. A denúncia relata que uma empresa intermediou a aquisição de aproximadamente US$ 200 mil em criptomoedas pelos acusados, na espécie de USDT, que possui valor fixo equivalente ao dólar (stablecoin).
Segundo o CyberGAECO, a conversão dos valores em criptoativos em período concomitante com os golpes e a utilização de uma exchange que não coopera com as autoridades brasileiras evidenciam a finalidade de blindagem patrimonial. Além da condenação pelo crime de lavagem de capitais, o MPRJ pediu à Justiça a fixação de indenização mínima de R$ 1,08 milhão.
MPRJ