Não sei quem teve a ideia de abrir uma cafeteria chamada Capitu, mas quero mandar flores, um cartão e, se não for muito, um abraço demorado. Porque entrar naquele café no Cosme Velho - onde viveu o próprio Machado - foi como cair dentro de um livro - só que com cheiro de café moído na hora e gosto de tarde bem vivida.
O ambiente é todo decorado com páginas gigantes de clássicos da literatura. Machado de Assis me observava da parede enquanto eu, em plena tentativa de parecer casual, tirava foto do meu cappuccino como quem documenta um momento histórico. E era. Porque a espuma estava perfeita, o lugar silenciosamente bonito, e eu… eu estava me sentindo a própria personagem cult de um romance contemporâneo carioca.
Ali, nada é só o que parece: a cadeira é cenário, o café é afago e a gente, sem perceber, vira personagem. Me peguei lendo um trecho de O Alienista enquanto esperava minha água com gás para acompanhar: um plot twist que o brunch do Leblon jamais me proporcionaria.
E o curioso é que Capitu - a do café - tem o mesmo charme ambíguo da original. Você entra pra tomar um café rápido e sai meio apaixonada. Não sabe se foi o ambiente, o gosto, o atendimento ou o jeito como tudo parece estar exatamente no lugar certo. E mesmo sendo um lugar calmo, ele te agita por dentro. Dá vontade de escrever, viver melhor, conversar com Machado e depois pedir sobremesa.
Eu fui só pra um café. Mas voltei com uma crônica, três ideias de livro e a certeza de que Capitu não traiu ninguém - no máximo, deixou todo mundo levemente encantado.
Agora me pergunta se eu volto? Volto. Porque Bentinho que me perdoe, mas Capitu com café é muito mais interessante.
Até o próximo texto!
@portal.eurio
https://www.instagram.com/annadominguees/
https://www.wattpad.com/user/AnnaDominguees