Ninguém gosta de admitir, mas as relações têm um prazo de validade. Não vem escrito no rótulo, claro. Seria mais fácil se viesse: “consumir preferencialmente enquanto houver admiração mútua.” Mas não. A gente insiste em acreditar que vínculos bons são os que resistem a tudo, até perceber que algumas histórias se desgastam justamente porque insistimos demais.
O afeto é um bicho vivo: nasce, cresce, muda de humor e, às vezes, morre de tédio. Há laços que não se rompem por falta de afeto, mas por excesso de costume.
Não que as pessoas tenham desaprendido a se importar. Só ficaram menos dispostas a insistir no que já perdeu o brilho. E, convenhamos, talvez isso nem seja ruim. Manter uma relação apenas por apego ao que ela foi no passado é como guardar leite vencido na geladeira: ocupa espaço, azeda o ambiente e ninguém tem coragem de jogar fora.
Há quem diga que as relações acabariam menos se as pessoas tivessem mais paciência. Eu arriscaria dizer o contrário: durariam mais se houvesse mais verdade. Paciência demais, às vezes, é covardia disfarçada de virtude.
Os vínculos, quando maduros, não exigem perpetuidade. Exigem presença enquanto houver sentido. E respeito, quando o sentido se perde. Depois disso, o que mantém é só o hábito, e o hábito, às vezes, faz mais estragos do que o fim.
Até o próximo texto!
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