Tem gente que é obcecada por dieta, skincare coreano, academia às seis da manhã. Eu? Livros. Meu colágeno está indo embora, mas minha estante está cada vez mais viçosa.
A obsessão começou tímida - um ou dois livros de banca, ainda na adolescência, só pra ver se era bom mesmo esse negócio de mergulhar em outra realidade. Era. Bom demais. Aí fui aumentando a dose. Um livrinho antes de dormir. Outro no intervalo do almoço. E quando vi… Ler virou vício. Comprar livro, então, virou esporte.
Tem promoção na Amazon? Comprei. Tem feirinha literária? Fui. Tem um sebo que parece depósito abandonado? Entrei, espirrei e saí com três clássicos e uma sinusite.
Não basta ter o livro. Tem que exibir. Coloco na estante como quem organiza troféus. Só falta colocar plaquinha: “Esse aqui eu comprei em 2016, comecei, parei na página 42, mas ele me representa.”
E o cheiro?
Sim, eu cheiro livro. Cheiro novo, cheiro velho, cheiro de livraria com café. É melhor que aromaterapia.
Cheirar livro é minha forma de dizer “tá tudo bem”, mesmo quando nada está. Claro que a obsessão tem seus efeitos colaterais. Meu cartão de crédito já cogitou entrar em contato com um terapeuta.
Tenho três edições diferentes de Dom Casmurro e não consigo me desfazer de nenhuma - vai que uma tem um Bentinho mais sensato?
Mas a gente aguenta a culpa, porque ler é o único vício que te deixa mais interessante em vez de te deixar com olheiras e decisões questionáveis (bom, às vezes também).
Livro te trai, sim - te deixa chorando no fim de um capítulo, revoltada com o destino de uma personagem, completamente apaixonada por alguém que nem existe. Mas é um tipo de traição que a gente agradece.
Prefiro mil vezes ser acusada de acumular literatura do que drama. E se um dia a minha casa pegar fogo (bate na madeira), podem salvar meus gatos, os documentos e… a caixa com os livros autografados.
Porque uma maníaca de livros pode até morrer, mas não morre analfabeta de alma.
E se você acha exagero, te digo com amor: pior é obsessão por gente que não vale nem um parágrafo bem escrito. Eu, hein.
Até o próximo texto!
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